"O dia da mentira (ou o Dia do Trote) surgiu na França. Pelo menos é o que dizem... Não há consenso sobre a origem da data. A tese mais aceita dá conta de que surgiu em 1564, quando Carlos IX, rei da França, determinou a adoção do calendário gregoriano, com início em janeiro. Antes, o ano-novo era celebrado em 1º de abril. Alguns franceses resistiram à mudança, ou simplesmente se esqueceram dela, abrindo o caminho para que brincalhões pregassem peças como enviar presentes esquisitos e convites para festas de mentira em 1º de abril. A tradição se espalhou pela Europa. Foi trazida para o Brasil pelos portugueses."
Almanaque de Cultura Popular Brasil
quinta-feira, 3 de abril de 2014
sábado, 29 de março de 2014
A Arte da Felicidade
"A felicidade não depende do que acontece ao nosso redor e sim do que acontece dentro de nós; a felicidade se mede pelo espírito com o qual nós enfrentamos os problemas da vida. A felicidade é um assunto de valentia; é tão fácil sentir-se deprimido e desesperado. A felicidade não consiste em fazer sempre o que desejamos, mas sim em querer tudo o que fazemos. A felicidade nasce ao colocarmos nossos corações em nosso trabalho e ao fazê-lo com alegria e entusiasmo. A felicidade não tem receitas; cada um cozinha com o tempero da sua própria meditação. A felicidade não é uma pousada no caminho; mas uma forma de caminhar pela vida."
Roger Patrón Luján
sexta-feira, 28 de março de 2014
Poema para a Exorcista
Hoje é aniversário do poeta peruano Mario Vargas Llosa, que completa 77 anos de vida. Para celebrar, um de seus poemas, Poema Para a Exorcista, escrito na cidade de Nova Yorque em novembro de 2001:
Poema para a Exorcista
A minha vida aparece sem condão e
monótona
aos que me vêem
no trabalho árduo da oficina
em manhãs apuradas.
A verdade é muito distinta.
Cada noite eu saio e discuto
contra um espírito malévolo
que, se valendo de
máscaras - cão, grilo,
nuvem, chuva, vagabundo,
ladrão - trata de
se infiltrar na cidade
para estragar a vida humana
semeando
a discórdia.
Apesar dos seus disfarces
sempre a descubro
e a espanto.
Nunca conseguiu enganar-me
nem vencer-me.
Graças a mim, nesta cidade
ainda é possível
a felicidade.
Mas os combates noturnos
deixam-me exausta e ferida.
E para compensar a minha
guerra contra o inimigo,
peço uns restos
de afeto e de amizade.
domingo, 23 de março de 2014
EU SÓ TENHO OLHOS PARA VOCÊ
"Havia uma garota cega que se odiava pelo fato
de ser cega! Ela também odiava a todos aqueles que a cercavam, exceto o seu
namorado! Um dia, ela disse que se pudesse ver o mundo, ela se casaria com seu
namorado. Em um dia de sorte, alguém lhe doou dois olhos! Então, seu namorado
lhe perguntou: - Agora que você pode ver você se casará comigo? A garota ficou
chocada quando viu que seu namorado era cego! Ela disse: - Eu sinto muito, mas
não posso me casar com você porque você é cego! O namorado, afastando-se dela,
ainda com o coração transbordando de amor em forma de lágrimas, de lágrimas que
ele não mais podia chorar por estar cego, disse-lhe: - Por favor, apenas cuide
bem dos meus olhos. Eles eram muito importantes para mim!
Nunca despreze quem ama você...!!!
Às vezes as pessoas fazem certos sacrifícios e nós nem ligamos..."
Nunca despreze quem ama você...!!!
Às vezes as pessoas fazem certos sacrifícios e nós nem ligamos..."
sexta-feira, 21 de março de 2014
PRECE SUFI*
Ó
Deus, quando presto atenção às vozes dos animais, ao ruído das
árvores, ao murmúrio das águas, ao gorjeio dos pássaros,
ao zunido
do vento ou ao estrondo do trovão, percebo neles um
testemunho da tua unidade; sinto que tu és o supremo poder, a omnisciência, a
suprema sabedoria, a suprema justiça.
Ó Deus, reconheço-te nas provas por que estou a passar. Permite, ó Deus, que a tua satisfação seja a minha satisfação. Que eu seja a
Tua alegria, aquela alegria que um Pai sente por um filho.
E que eu me lembre de Ti com tranquilidade e
determinação, mesmo quando é difícil dizer que Te amo.
*Sufismo
Não há
distinção entre Sufismo e Islamismo. Sufis são muçulmanos que buscam
empenhar-se em suas comunidades, a viver os ideais islâmicos em sua inteireza.
Hajj Sheikh Muhammad Ragip al-rahi
sexta-feira, 14 de março de 2014
Fernando Pessoa – Uma Quase Autobiografia (3ª Parte - Final)
(Continuação)
Não menos importante, já no Ato IV,
Cavalcanti dedica um capítulo inteiro ao hábito etílico do poeta lusitano, “A espantosa lucidez da bebida.” Começa o
capítulo com o subtítulo: Um irresistível
gosto pelo álcool; e já na primeira linha escreve: “É como se houvessem nascido um para o outro”. Ao chegar em casa,
por vezes se fingia de bêbado para irritar a irmã Teca. O poeta português tinha
predileção pelos vinhos de Lisboa: alguns brancos ou tintos de mesa, preparado
a partir da uva moscatel. De acordo com carta de Ophélia, ele apreciava também
o vinho de madeira. No entanto, seu vinho preferido era outro: as “garrafas daquele vinho do Porto que ninguém consegue comprar”.
Fernando Pessoa aos 40 anos de idade
Aprecia ainda o absinto ( que logo larga
devido aos problemas gástricos que lhe infringia) e o conhaque, mais conhecido
em Portugal como Brandy; porém,
preferia o bagaço, ou bagaceira, uma espécie de aguardente de
uva. “Ah, bebe! A vida não é boa ou má”. A
poesia e o álcool, nele, sempre andaram juntos.
Todas as manhãs, ainda em jejum, tomava um
cálice de vinho no caminho do trabalho; ao entardecer, retornando do serviço,
tomava um cálice de conhaque; e em seguida, enchia uma garrafinha preta com
aguardente para a noite. Alguns de sues amigos no trabalho, diziam que vez ou
outra Pessoa se levantava no meio do expediente para tomar uma dose de aguardente.
Todos os dias, durante o almoço, sempre tomava uma garrafa de vinho.
Tomando um cálice de vinho
Todo este abuso com as bebidas teria um
efeito drástico em Pessoa; a começar pelo delirium
tremens, desencadeando num processo que o levaria à morte prematura em
1935, aos 47 anos de idade, sem o devido reconhecimento por parte de seus
compatriotas. A causa mortis teria sido provavelmente uma cirrose hepática ou uma
pancreatite.
É levado ao hospital São Luis dos
Franceses, onde falece numa tarde de sábado. As freiras do hospital ligam para
Ophélia Queiroz, cientes da relação dela com o poeta. Na quarto onde jazia
Pessoa, as freiras deixam Ophélia a sós com o ilustre defunto. Ophélia põe a
destra em sua cabeça e estremece; coloca a mão direita do morto entre as suas e
sussurra palavras em seu ouvido inerte. Depois, para que ninguém soubesse dessa
despedida, fala que recebeu a notícia através de um sobrinho, Carlos Queiroz.
Segundo ela, então, “levei a mão à
cabeça, dei um grito, chorei muito, por muito tempo”.
O corpo de Fernando Pessoa foi velado na Capela
do Cemitério dos Prazeres, no domingo, no dia primeiro de dezembro. Na manhã
seguinte, às 11 horas o cortejo fúnebre parte para levar o corpo do poeta para
o “túmulo raso do Cemitério dos
Prazeres”. Vários amigos acompanharam o sepultamento.
Sua última foto, aos 47 anos.
Em 1985 os restos mortais de Fernando
Antonio Nogueira Pessoa, 50 anos após sua morte, foram transferidos para o
Panteão Nacional dos Jerônimos, cumprindo-se o que falara Jorge de Sena em
1954: “O país se lembra de lhe dever um
túmulo ao lado dos grandes da pátria”.
Assim, no claustro desse Mosteiro de Santa
Maria de Belém, aos pés do Tejo, está o solitário túmulo de Pessoa. Em usa
lápide está o epitáfio: Fernando Pessoa,
1888-1935; e em baixo, os versos:
Não basta
abrir a janela
Para ver os
campos e o rio.
Não é bastante
não ser cego
Para ver as
árvores e flores.
20/04/1919
Alberto Caieiro
Não: Não quero
nada.
Já disse que
não quero nada.
Não me venham
com conclusões!
A única
conclusão é morrer.
1923 Álvaro de
Campos
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
14/02/1933 Ricardo Reis.
Amigos leitores; abaixo deixo dois sites que fazem uma crítica ao livro de Cavalcanti, para quem quiser saber mais:
http://ipsilon.publico.pt/livros/critica.aspx?id=305399
//www.blogger.com/blogger.g?blogID=5542520736526928833#editor/target=post;postID=7483741951312829143;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=0;src=link
quarta-feira, 12 de março de 2014
Fernando Pessoa – Uma Quase Autobiografia (2ª Parte)
(Continuação)
Nas próximas 200 páginas do livro, no Ato II, Cavalcanti discorre sobre os heterônimos de Fernando Pessoa. Primeiro, nos fala do seu estilo literário para depois penetrar de fato, nos heterônimos, a partir dos três principais e mais conhecidos: Alberto Caieiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. É mister relembrar, que os heterônimos são pessoas imaginárias a quem se atribui uma obra literária, com “autonomia” de estilo em relação ao autor. Assim sendo, Pessoa não só deu estilos diferentes para cada um destes heterônimos, como até lhes deu uma data de nascimento e características físicas.
Caieiro era natural de Lisboa, morador do centro. Nascido em 16/04/1889, de signo Virgem; sua altura era mediana, sua pele branca e pálida, de olhos azuis. Sem profissão, vivia de rendas; não tinha religião e sua instrução era primária. Sendo seu estilo o da poesia primitiva, seu tema preferido era a natureza. Sua obra prima “O Guardador de Rebanhos”.
O Ato III “Em que se conta dos seus muitos gostos e ofícios”, tem capítulo reservado para “os sabores de Pessoa”. A culinária tem um lugar sempre secundário em suas obras. Nem ele era um grande apreciador dos comeres. “Comamos, bebamos e amemos (sem nos prender sentimentalmente à comida, à bebida e ao amor, pois isso traria mais tarde elementos de desconforto)”.
O livro fala ainda do Bolo-Rei, o bife à Jansen, ovos estrelados com queijo, ensopado de camarão, caldo verde, açorda de camarão e o seu prato favorito: Dobradinha à moda do Porto que, diga-se de passagem, é bem diferente da nossa.
Fernando
Pessoa, apesar da figura soturna, possuía alguns amigos que despontavam para as
artes como ele. Muitos deles, tratados como precursores do modernismo em
Portugal colaboravam com a revista fundada por Pessoa, o Orpheu. Os melhores desenhos de Fernando Pessoa são de obras de (José
Sobral de) Almada Negreiros (1893-1970) mulato “espontâneo, rápido” e de um “brilhantismo
e inteligência mito e muita – eis o que está fora de se poder querer negar.” Havia
ainda (Guilherme de) Santa-Rita Pintor, Miguel Torga e o melhor amigo, o também
poeta, (Mário) Sá-Carneiro, que se mataria em Paris no ano de 1916 aos 25 anos
de idade.
Nas próximas 200 páginas do livro, no Ato II, Cavalcanti discorre sobre os heterônimos de Fernando Pessoa. Primeiro, nos fala do seu estilo literário para depois penetrar de fato, nos heterônimos, a partir dos três principais e mais conhecidos: Alberto Caieiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. É mister relembrar, que os heterônimos são pessoas imaginárias a quem se atribui uma obra literária, com “autonomia” de estilo em relação ao autor. Assim sendo, Pessoa não só deu estilos diferentes para cada um destes heterônimos, como até lhes deu uma data de nascimento e características físicas.
Almada Negreiros
Caieiro era natural de Lisboa, morador do centro. Nascido em 16/04/1889, de signo Virgem; sua altura era mediana, sua pele branca e pálida, de olhos azuis. Sem profissão, vivia de rendas; não tinha religião e sua instrução era primária. Sendo seu estilo o da poesia primitiva, seu tema preferido era a natureza. Sua obra prima “O Guardador de Rebanhos”.
Reis era da região norte do Porto. Nascido
em 19/09/1887, era de libra. Era um pouco mais baixo que Caieiro; era moreno
sem cor definida dos olhos e de cabelos castanhos; sua profissão era de médico
e sua religião judia; formou-se no Colégio Jesuíta; seu estilo era o da poesia
clássica; seu tema preferido, o Desencanto. Sua principal obra, as “Odes”.
Fernando Pessoa, por Almada Negreiros
Por fim, Álvaro de Campos, de 1,75 metro
de altura, nascido em Tavira e vivendo em Algarve, no sul. Sua data de
nascimento, 15/10/1890, sendo libriano. Sua pele algo entre branco e moreno;
seus olhos sem cor definida e seus cabelos eram pretos lisos. Sua profissão,
correspondente comercial. Sem religião, era ateu. Sua formação, Educação de liceu. Seu estilo,
poesia sensacionista, sua obra magna, “Tabacaria”.
Afora estes heterônimos, Pessoa teria
desenvolvido, segundo Cavalcanti, mais de 100 heterônimos (127, no total).
Destes, o mais relevante após os três supracitados, sem dúvida alguma, é
William Alexander Search (Guilherme Alexandre Busca), surgido nos tempos da
África inglesa, que escreve regularmente, quase sempre em inglês. Pessoa
considera ter Search uma “incumbência:
tudo o que não seja da competência dos outros três” (Caieiro, Reis,
Campos).
O amigo Sá-Carneiro
O Ato III “Em que se conta dos seus muitos gostos e ofícios”, tem capítulo reservado para “os sabores de Pessoa”. A culinária tem um lugar sempre secundário em suas obras. Nem ele era um grande apreciador dos comeres. “Comamos, bebamos e amemos (sem nos prender sentimentalmente à comida, à bebida e ao amor, pois isso traria mais tarde elementos de desconforto)”.
Dentre seus pratos preferidos, Cavalcanti
nos relata serem os seguintes: Galo com arroz ao Curry (Uma espécie de molho
que aprende a gostar, de origem africana). O autor do livro se preocupa até em
citar as receitas destes pratos! Em família, o cardápio seria mais variado:
açorda seca só com pão, bolinhos de bacalhau, cordeiradas com batatas, cozidos
à portuguesa, creme de leite, fatias de carne recheadas, feijão branco, filés
de peixe, lombo de porco. E ainda rodelas de chouriço e guarnições com cenoura,
vagem e outros legumes.
Fernando Pessoa aos 30 anos
O livro fala ainda do Bolo-Rei, o bife à Jansen, ovos estrelados com queijo, ensopado de camarão, caldo verde, açorda de camarão e o seu prato favorito: Dobradinha à moda do Porto que, diga-se de passagem, é bem diferente da nossa.
A seguir, são citados os lugares onde
Fernando Pessoa morou: Largo de São Carlos, Rua de São Marçal, Rua Coelho da
Rocha; em Durban, Hotel Bay View, em Musgrave Road, em Tersilian House, Ridge
Road, West Street; de volta a Portugal, Rua Pedrouços, Travessa da Rua Direita,
Rua da Palha e tantos mais, até a Rua Coelho da Rocha, 16, primeiro andar
direito, de março de 1920 até sua morte, em novembro de 1935.
Depois das residências, partimos para seus
ofícios. “Aproveitar o tempo! O trabalho
honesto e superior... Mas é tão difícil ser honesto ou superior!” Pessoa
trabalhou como tradutor, correspondente comercial (em mais de 20 escritórios
diferentes)se aventurou como micro empresário, fundando até uma tipografia e
atuou ainda com publicidade.
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