sábado, 8 de março de 2014

Bem Aventurada a Mulher

      Bem aventurada a mulher que cuida do próprio perfil interior e exterior, porque a harmonia da pessoa faz mais bela a convivência humana. 
     Bem aventurada a mulher que, ao lado do homem, exercita a própria insubstituível responsabilidade na família, na sociedade, na história e no universo inteiro. 
     Bem aventurada a mulher chamada a transmitir e a guardar a vida de maneira humilde e grande.



     Bem aventurada quando nela e ao redor dela acolhe faz crescer e protege a vida. 
     Bem aventurada a mulher que põe a inteligência, a sensibilidade e a cultura a serviço dela, onde ela venha a ser diminuída ou deturpada. 
   Bem aventurada a mulher que se empenha em promover um mundo mais justo e mais humano. 
   Bem aventurada a mulher que, em seu caminho, encontra Cristo: escuta-O, acolhe-O, segue-O, como tantas mulheres do evangelho, e se deixa iluminar por Ele na opção de vida. 
   Bem aventurada a mulher que, dia após dia, com pequenos gestos, com palavras e atenções que nascem do coração, traça sendas de esperança para a humanidade.


sexta-feira, 7 de março de 2014

A Cortina

      Mês passado li o livro Maria da Vila das Formigas, que narrava a história de Kitahara Satoko, uma jovem japonesa do pós-guerra que se converte ao catolicismo e auxilia várias crianças numa vila no centro de Tóquio, onde habitavam famílias paupérrimas que coletavam materiais recicláveis para sobreviver.
     O trecho abaixo narra o diálogo entre dois trapeiros moradores da vila, “Papai” e O “Professor”, que eram os responsáveis pela local. Na conversa, os dois decidiam pela permanência da senhorita Kitahara na Vila das Formigas, quando o “Professor” faz uma interessante metáfora da morte com o fechar da “cortina”:


     “O ‘Professor’ começou dizendo:__Compreendo muito bem o desejo de “Papai” de reter para sempre a senhorita Kitahara na Vila das Formigas. Eu, porém, acho que o mais importante para um homem é a ‘cortina’. Falava com ímpeto marcando as palavras. __Quando moço sempre pensei que haveria de me dedicar a algo útil. Mas de um tempo para cá, estou pensando que os meus desejos de jovem deram errado. Quer seja rei ou milionário, tanto quanto possa ter sido feliz na terra, o homem acaba morrendo. Por isso, temendo a morte, todos, desejando ser felizes, vivem no terror e para esquecer o medo, se entregam ao álcool, procuram prazeres ilícitos, distrações, alucinações. O homem, por mais rico que seja, ocupe a posição que ocupar, não é feliz. Se um homem quer ser feliz de verdade, é preciso que não tenha medo da morte. Por isso, além de pensar em levar uma vida que tenha alguma finalidade temporal, é bom viver uma vida que conduza a uma morte feliz, a uma morte que, realmente, tenha uma finalidade. Noutras palavras é muito importante para o homem pensar como morrer. Por isso, considero mais importante para o homem a ‘cortina’, o fim do drama. Portanto eu nada faço, para impedir que a senhorita Kitahara desapareça da Vila das Formigas. Jesus disse que não existe maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos. Mas eu acho que ajudar seu próprio amigo mais amado a concluir a beleza de sua vida, um ato de amor maior ainda.”

Maria da Vila das Formigas, Matsui Toru, Ed. Cidade Nova – 1980 p. 111.




Kitahara Satoko veio a falecer no dia 23 de janeiro vítima de tuberculose, aos 29 anos de idade sendo que, nove deles (após sua conversão), dedicados às crianças da Vila das Formigas. 


Paradoxo

  Revirando papéis antigos, encontrei este poema de um grande amigo, Wilson José, que lecionava Filosofia na mesma  época em que eu lecionava História

. A poesia, de 1999, era uma ode ao Brasil que estava prestes a completar 500 anos!


PARADOXO
Ao 500 anos de país chamado Brasil

Parte de mim é imenso sertão,
Outra parte grande oceano.
Minha fome é interrogação,
Metade de mim, grito profano.

Sou duas faces de um rosto
Que hora preza ser, outra o ter.
Uma face é miséria, desgosto,
Outra, consumo moda, prazer.

Fruto de enlatada cultura,
Sou filho preza o ser, outra o ter.
Sou mãe-pátria sempre à procura
do culpado desta sorte atroz.

Sou aquela prostituta jovem
Que abre as pernas e mostra as tetas
a qualquer um que ao seu encontro vem
sugar do peito as últimas gotas.

Metade de mim adormece
Embriagada em esplêndido berço.
Metade outra, ovelha sem messe,
peleja em continhas do terço.

Sou gigante da natureza,
Rico, forte, belo, tropical.
Mas sou cara feia surpresa
ante o sistema injusto e mau.

Ipiranga! Não ouvi o seu brado!
E alguns cantam-no retumbante!
Morreu à velha utopia abraçado
sem liberdade, flor pujante!

Parte de mim é doce euforia
quando do futebol se versa.
Parte outra, angústia em demasia
se na rua um mendigo atravessa.

Parte mim, signo de tudo,
outra parte, sinal de nada!
Sou assim, vestido ou desnudo,
peregrino em longa jornada!

Meu nome! Ainda queres ouvi-lo?
BRASIL TERR’ADORADA GENTIL!          
Poesia em versos, sem estilo!
Incógnita que sempre existiu!


Wilson José, Belo Horizonte, 22/02/1999

terça-feira, 4 de março de 2014

Oração

Senhor! 



Venho te pedir pelo ser humano!


Venho te pedir por aqueles que ainda não descobriram a nossa missão na Terra........


Venho te pedir por aqueles que nos maltratam, e que não sabem que estão jogando fora a oportunidade de exercitar conosco o carinho de que mais tarde irão precisar........


Venho te pedir por aqueles que nos abandonam nas ruas, em abrigos, em latas de lixo...


Eles não sabem que estão plantando a semente do amanhã, e que mais tarde também irão sofrer o abandono na mão dos filhos, e que também irão amargurar em asílos.....


Venho te pedir por aqueles que nos acorrentam, nos amarram, sem comida e sem água. Não sabem que um dia estarão sedentos de amor, de carinho. 


Venho te pedir, Senhor, por todos nós, seres de 2 ou 4 patas, que habitam este espaço terrestre. 


Peço Senhor, que os humanos, possam finalmente aprender a grande lição que tentamos incansavelmente ensinar a todos eles: a do amor incondicional. 

O Amor verdadeiro.

Olhe por nós!

Amém´

domingo, 2 de março de 2014

Sobre nazismo, crianças e borboletas

Semana passada li o livro "Jesus, o Inigualável Psicoterapeuta, de Fátima Delgado, de onde retirei esta singela, mas bela passagem:

"A Drª Klüber Ross afirma que morrer é apenas mudar de casa, sair do corpo físico e virar uma borboleta. Ela aprendeu isto na Alemanha, nos campos de concentração, onde as crianças judias desenhavam borboletas nas paredes,com as unhas, porque sabiam que em breve estariam livres."  

"Jesus, o Inigualável Psicoterapeuta" p. 123.

Abraços a todos!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Religião e Religiosidade

      Amigos! Colhi o texto abaixo de um jornal de grande circulação em BH - o Aqui, do grupo Diários e Associados, e quem assina a matéria é o terapeuta Antonio Roberto, conhecido em nossa terra pelos programas transmitidos pela Alterosa, uma emissora afiliada do mesmo grupo acima citado e uma afiliada do SBT. Espero que vocês o apreciem, assim como eu o apreciei:

Religião e Religiosidade

     “Minha mãe é católica e o meu pai é evangélico. Confesso que estou no meio de chumbo cruzado e não sei o que fazer. Gostaria de saber se um mau cidadão, independente de religião, pode se tornar uma pessoa boa.”

Joana Dark – Belo Horizonte






     Há uma diferença entre ter religião e ser religioso. Ter religião é fazer parte de uma igreja determinada, seguir e praticar seus rituais, cumprir suas normas externas. Ser religioso é cultivar valores fundamentais de bondade, verdade, amor e solidariedade. É estar em comunhão com Deus e com seus semelhantes. É estar na trilha do auto-desenvolvimento, procurando ser cada dia um pouco melhor.
     A diferença entre essas duas coisas é importante porque podem existir pessoas que, mesmo pertencendo a alguma religião, não sejam religiosas, e outras que, mesmo não tendo uma religião, se ligam a Deus, ao universo e caminham no esforço dos valores universais da vida. O grande objetivo de uma religião é facilitar e encaminhar a pessoa para essa descoberta íntima da religiosidade.
     Respondendo à pergunta da leitora, podemos dizer que qualquer pessoa má se converterá ao bem através da religiosidade e do amor, mas isso não implica necessariamente em pertencer a uma religião.
     São inúmeros os caminhos que nos levam à paz interior e ao amor às outras pessoas. Como diria Jesus Cristo: “Na casa do meu Pai existem muitas moradas.” Cada um escolhe seu caminho, são muitos. Querer que as pessoas sigam o caminho que nós escolhemos é achar que o único meio de desenvolvimento humano e espiritual é o nosso. Essa crença leva ao fanatismo religioso, à intolerância religiosa, uma das piores formas de violência.
     Já houve na história do mundo momentos em que se matava aqueles que não professassem uma determinada religião. I o amor da religiosidade, onde fica?

Antonio Roberto – Terapeuta comportamental e Deputado Federal em Minas Gerais


Texto extraído do jornal aQui”, de 16/12/2013.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Os Reis Magos - Parte II

    Porque eram "Magos"?




Há grande dificuldade em identificar com plena exatidão geográfica os países de procedência dos Reis Magos, além dos dados da Escritura e de São Beda.
Sem dúvida, seu caráter de “magos”, reconhecido pelo Evangelho de Mateus, aponta para a área da civilização caldeia (cujo epicentro foi no atual Iraque, mas incluiu diversos países vizinhos, entre eles o Irã).
O nome “mago” provinha do fato de os sacerdotes dessa área serem muito voltados para a consideração dos astros. A eles devemos o início da ciência astronômica.
Com a decadência moral, os “magos” caldeus viraram uma espécie de bruxos, divulgadores de toda espécie de superstições.
Os Três Reis Magos teriam sido os últimos sacerdotes honrados daquele mundo pagão que aspiravam sinceramente conhecer o Salvador.


       Foram "Reis"?

Em que sentido podem ser chamados de “Reis”, uma vez que não se lhes conhece a procedência e menos ainda a localização do reinado?
Porém, na Antiguidade, muitas vezes os patriarcas, ou chefes de grandes clãs, ou grupos étnico-culturais, governavam com poderes próprios de um rei, sem terem esse título ou equivalente. E seu reinado se concentrava sobre sua hoste, por vezes nômade.
São João Damasceno não recusava que eles fossem descendentes de Set, terceiro filho de Adão. E este pormenor nos leva de volta ao “apócrifo” do Vaticano.

 O referido manuscrito estava na Biblioteca Vaticana havia pelo menos 250 anos, mas não se sabe mais nada de sua proveniência. 
Está escrito em siríaco, língua falada pelos primeiros cristãos da Síria e ainda hoje, bem como do Iraque e do Irã.
O Prof. Landau acredita que no “apócrifo” entra muita imaginação. Mas, há uma muito longa descrição das supostas práticas, culto e rituais dos Reis Magos.
      Feitos, pois, os devidos descontos no apócrifo, lemos nele que Set, terceiro filho de Adão, transmitia uma profecia, talvez ouvida de seu pai, de que uma estrela apareceria para sinalizar o nascimento de Deus encarnado num homem.

     O que foi feito dos "Reis Magos"?




     De acordo com uma tradição acolhida por São João Crisóstomo, Padre da Igreja, os três Reis Magos foram posteriormente batizados pelo Apóstolo São Tomé e trabalharam muito pela expansão da Fé (Patrologia Grega, LVI, 644). 
A fama de santidade dos Reis Magos chega até os nossos dias.
Seus restos são venerados na nave central da Catedral de Colônia, em magnífica urna de ouro e de pedras preciosas que extasia os visitantes. 
As relíquias deles foram descobertas na Pérsia pela imperatriz Santa Helena e levadas à capital imperial Constantinopla. Depois foram transferidas a outra capital imperial – Milão –, até que foram guardadas definitivamente na Catedral de Colônia em 1163 (Acta SS., I, 323).


Curiosidades

Símbolos da humildade

Na tradição cristã os três Reis Magos simbolizavam os poderosos que deveriam curvar-se diante dos humildes na repetição real do canto da Virgem Maria à sua prima Isabel, e "Magnificat", pois sua alma rejubilava-se no Senhor, que exaltaria os pequenos de Israel e humilharia os poderosos.
A igreja cultua os Reis Magos dentro desse simbolismo. Representam os tronos, os potentados, os senhores da Terra que se curvara diante de Cristo, reconhecendo-lhe a divina realeza. É a busca dos poderosos que vêem em Belchior, Gaspar e Baltazar o exemplo de submissão aos desígnios de Deus e que devem, como os magos, despojar-se de seus bens e depositá-los aos pés dos demais seres humanos, partilhando sua fortuna como dignos despenseiros de Deus.
Os presentes de Natal também têm esse sentido. São as ofertas dos adultos à criança que com a sua pureza representa Jesus. Alguns, dão a essas festas um sentido mitológico pagão, buscando nas cerimônias dos druidas, dos germânicos ou saturnais romanas a pompa das festas natalinas que culminam com a Epifania.

A Bifana

A palavra epifania, usada também como nome de mulher, deu origem a uma corruptela dialetal do sul da Itália, levada depois a Portugal e Espanha, a Bifana. A Bifana, segundo a lenda, era uma velha que, no dia de Reis, saía pelas ruas da cidades a entregar presentes aos meninos que tivessem sido bons durante o ano que findara. Estava intimamente ligada às tradições dos povos mediterrâneos e mais próxima do significado litúrgico das festas natalícias. Os presentes eram somente dados no dia 6 de janeiro e nunca antes. Tanto assim é, que nós mesmos, no Brasil, na nossa infância, recebíamos os presentes nesse dia. Depois, com a influência francesa e inglesa em nossas tradições a Epifania ou Bifana foi substituída pelo Papai Noel, a quem muitos estudiosos atribuem uma origem pagã e outros, para disfarçar o sentido comercial da sua presença no dia de Natal, confundem com São Nicolau.
Hoje, o Santos Reis já não são lembrados. O presépio praticamente não existe e só neles é que podemos ver os Magos de Oriente apresentados. A árvore de Natal, pinheiro que os druidas e os feutos enfeitavam para agradar o terrível deus do inverno Hell, substituiria a representação do nascimento de Jesus, introduzida no costume dos povos por São Francisco de Assis. A festa da Epifania, dia de guarda no calendário litúrgico, já não mais é respeitada e com ela desaparecerem outras tradições da nossa gente, trazidas da Península Ibérica pelos nossos antepassados, como a folia de Reis, Reisados e tantos outros autos folclóricos, cultuados em poucas regiões do país.


Fontes: Gimenez, Armando. "Reis Magos, santos esquecidos dentro das tradições do Natal". Diário de São Paulo, São Paulo, 5 de janeiro 1958
http://www.portaldafamilia.org/datas/natal/reismagos.shtml

http://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com.br/2013/01/quem-foram-os-reis-magos.html